quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Com algemas nos punhos, policiais civis se apresentam para serem presos em Natal; veja vídeo

policiais civis do Rio Grande do Norte se apresentaram na Delegacia Geral de Polícia, na manhã desta quarta-feira (3), em Natal, para serem presos (Foto: Ediana Miralha/Inter TV Cabugi)
Policial Severino Bezerra, de 52 anos, se algemou na Delegacia Geral de Polícia Civil (Foto: Sinpol/Divulgação)
G1/RN
Em greve desde o último dia 20 de dezembro, policiais civis do Rio Grande do Norte se apresentaram na Delegacia Geral de Polícia na manhã desta quarta-feira (3) em Natal para serem presos. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte considerou o movimento ilegal e determinou a prisão de policiais da ativa e da reserva que incentivem, promovam ou defendam a greve.
Durante a tarde desta terça-feira (2), em assembleia, os policiais decidiram que permanecerão trabalhando em regime de plantão, mesmo diante da possibilidade de serem presos. Por causa da greve, apenas as delegacias de plantão e as regionais funcionam no estado.
A categoria cobra o pagamento dos salários de novembro, dezembro e do 13º. Sem policiamento, houve aumento da violência no estado. O governo federal enviou 2,8 mil homens e mulheres das Forças Armadas para reforçar a segurança no estado no último fim de semana.
"Se não fosse a família, estaria passando fome. Em 11 anos de polícia, nunca imaginei que eu, como homem da lei, teria que me algemar. Mas estou pronto para ser preso. Pelo menos na cadeia a gente vai ter o que comer", afirmou o policial Severino Bezerra, de 52 anos, que atua na delegacia de São Gonçalo do Amarante e se algemou na sede da Polícia Civil.
O agente Pedro Paulo, de 31 anos, atua há cinco anos na Polícia Civil do estado e considera que os policiais estão "impossibilitados" de trabalhar.
"São três meses sem receber. Os colegas não estão conseguindo pagar matrículas dos filhos na escola, não estão conseguindo pagar o aluguel e prover o mínimo para suas famílias. O pior é que não temos nenhuma ideia de quando isso vai se resolver. Por nós, voltamos a trabalhar normalmente amanhã. Nós não estamos em greve, estamos impossibilitados financeiramente e psicologicamente. A partir do momento que você tem que tirar da sua família, para ir ao trabalho, com que cabeça o policial vai atuar?", questiona.